Impeachment de Bolsonaro divide opiniões na bancada potiguar no Congresso

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Por: Agora RN

Após o processo que retirou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) do Palácio do Planalto, o impeachment passou a ser um assunto popularizado na sociedade brasileira que, não raramente, reivindica pela instauração de denúncia contra presidentes no Congresso Nacional. O atual chefe do Executivo brasileiro, Jair Bolsonaro (Sem Partido) é recordista em média de pedidos de impeachment. Foram realizados 61 pedidos em dois anos de mandato — nenhum avançou.

Entre os parlamentares da bancada potiguar, há divergências sobre a necessidade de encerrar a atuação de Bolsonaro à frente do Brasil. Quatro deputados federais responderam aos questionamentos da reportagem do Agora RN: dois são favoráveis, um contra e um outro, Walter Alves (MDB-RN), acredita que “não é momento de pensar em impeachment do presidente’’.

O parlamentar emedebista justifica sua declaração com base na atual crise sanitária, imposta pela pandemia do coronavírus, que gerou agravamentos em outros setores sociais, como o econômico. “Estamos no meio do maior desafio de saúde pública, enfrentando um vírus que já vitimou mais de 211 mil pessoas (no Brasil). Pautar impeachment do presidente, nesse momento, causaria mais instabilidade ao país”, ressalta.

Na contramão desse pensamento, o deputado Rafael Motta (PSB-RN) declara ser favorável à instalação do processo político-criminal contra Bolsonaro. O parlamentar foi um dos signatários do pedido de impeachment feito pela bancada do PSB na Câmara, em 2020. “O nosso posicionamento não mudou, principalmente porque a conduta do presidente também não, sempre promovendo um discurso antidemocrático e abrindo uma crise atrás da outra”, dispara.

Rafael reforça que “desde que assumiu a cadeira da Presidência, Bolsonaro vem praticando uma série de ações incompatíveis com o cargo que ocupa”. O deputado cita a pandemia como um dos exemplos, o que, na visão dele, faz o Brasil passar por uma crise sanitária mundial. “Bolsonaro ignora os protocolos, coloca a população em risco e não assume uma posição digna de um chefe do Executivo, tanto no discurso como na prática”, comenta.

O parlamentar destaca, ainda, que não avalia positivamente a atuação do governo Bolsonaro. “Por mais otimistas que sejamos e por mais que o Legislativo venha fazendo a sua parte para mitigar as crises, sabemos que deixar a gestão nas mãos de Bolsonaro coloca o país em risco”, diz.

Beto Rosado, por sua vez, é contra o processo, pois afirma não existir elementos que justifiquem tal ação. A posição é apoiada na contribuição “positiva do presidente para o Rio Grande do Norte”. O integrante da bancada bolsonarista, no entanto, fala em “analise”, caso o impeachment chegue ao plenário da Câmara.

“Foi o governo Bolsonaro que, logo no início, amenizou a situação do setor salineiro, criando o decreto do sal, dando conforto jurídico às questões ligadas ao setor e mantendo a empregabilidade no Oeste e, principalmente, na região da Costa Branca. Foi no governo dele que conseguimos a abertura do mercado chinês para exportação do melão, uma conquista muito importante para as exportações do RN. Além disso, temos outros avanços, como as obras do Complexo do Gancho de Igapó, Oiticica, Ramal do Apodi, Reta Tabajara e a abertura do mercado chinês para exportação do melão, uma conquista muito importante para as exportações do RN”, sustenta.

De maneira oposta, a deputada Natália Bonavides se coloca favorável ao afastamento precoce de Bolsonaro da cadeira da presidência, pois anuncia não ser “difícil encontrar motivos para não ser favorável”. “A lista de crimes de responsabilidade de Bolsonaro é imensa. Desde o início da pandemia, Bolsonaro se comporta como um aliado do vírus. Sua continuidade no governo é um insulto a todas e todos que perderam a vida para a covid-19”, esclarece.

A parlamentar relembra casos que justificam a necessidade do impeachment contra o atual presidente, como “os ataques contra a democracia durante as manifestações incentivadas por ele; a interferência na Polícia Federal; a defesa e apologia a ditadura militar; e todas as medidas tomadas por ele que negligenciaram a pandemia o contribuíram diretamente para o desastre sanitário que o país vive. O impeachment é uma necessidade para salvar vidas e impedir a continuidade dessa barbárie que é o governo Bolsonaro”, encerra.

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